quarta-feira, 5 de junho de 2013

Assitiu professor? Pode assitir...

Logo após uma aula em que discutíamos sobre sexualidade, um aluno aproxima-se enquanto eu guardava o material na mochila.

_Professor tem um vídeo de um "fulaninho" muito legal... é sobre essa assunto aí. Procura no youtube e depois me diz.
_ Tá filho, pode deixar.
Obviamente que eu me esqueci completamente da conversa, do fulaninho e do vídeo.
No próximo encontro com o aluno...
_ E ai, Sor, viu?
_ O que?
_ O vídeo que eu te falei.
_ Ihhhh, esqueci...
_ Tu é foda, sor.
_ Bobagem, diz aí de novo.
Passados alguns minutos, esqueci novamente... Os desencontros foram acontecendo até que um dia o guri postou o link via facebook. Cliquei e assisti.
Em resposta ao aluno e a aqueles que leem meus textos aqui no Blog, digo:


Não conheço o trabalho de Felipe Neto e esse foi o único vídeo dele que assisti, logo, não o defendo em outros posicionamentos que tenha assumido. Além disso, os argumentos que constam em seu vídeo não são os mesmos que uso. O debate suscitados em aula e nos textos acadêmicos que produzo, é claro, possuem explicitamente certos posicionamentos políticos, entretanto, são alicerçados em alguns conceitos como "identidade", "representação", "feminismos", dentre outros. Assim, se é verdade que o lugar do qual falo é diferente daquele ocupado por Felipe Neto, digo... povo do meu Brasil, para um Blog ou mesmo numa mesa de boteco [sem a menor intenção de desmerecer as conversas regadas a cervejas e petiscos que, ás vezes, valem mais que 1/2 dúzia de textos pretensiosos e umas tantas aulas que vomitam conceitos só da boca pra fora] , os argumentos que se seguem são óooootimos. Valeu a dica, Abelardo!

domingo, 2 de junho de 2013

Teatro de Fantoches...

Coisa mais linda do meu Brasil!!!

Estrelando Luísa Senna, Luís Fernando Schommer, Magda Natani, Paulo Leandro, Alexandre Musskopf e Alexandre Machado.
 
Apoio técnico (filmagem): Jéferson Staudt

http://youtu.be/ezNSxkUPRiY 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Em homenagem ao dia da(o) Pedagoga(o)...

Segunda feira, 20-05, dia da(o) Pedagoga(o), um aluno [6 anos], no final da aula, vira-se pra mim, aponta para  a salinha onde guardo os materiais da Educação Física e pergunta:
_ Sor, é verdade que tem um esqueleto ali?
_ Sim, é verdade! [Trata-se de um esqueleto didático que estava rolando pela escola e que resolvemos guardar na salinha dos materiais.]
_ De quem é, sor?
_ De uma criança - Respondi com sorriso maquiavélico.
_ O que houve com ele? 
_ É uma história muito macabra, outro dia te conto.
_ A cabra mordeu ele e ele morreu?
_ Nãaaaao, a história é macabra!! _ Respondi pausadamente como estratégia pedagógica para o guri perceber que tratava-se de uma história sinistra e amedrontadora. Ávido para saber se a criatura tinha captado a mensagem, virei-me pra criança que já dava sequência na conversa.
_ Hummmmmm, não é um cabra nada! Nem tem chifres, só tem cabeça!
Peguei a criança pela mão e voltamos para a sala.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Eve eve eve...

Em 25-04-2013, a Educação no município de Canoas parou por pagamento do piso salarial, aumento de salário, ajustes no plano de carreira, valorização do professor, redução da jornada de trabalho (respeitando a carga horária de planejamento) e melhoria da infraestrura. A paralisação que esteve vinculada à Semana Nacional da Educação, organizada pela CNTE, contou com dois dias de panfletagem (23 e 24 de abril) em frente às escolas e em algumas estações do Trensurb, em Canoas. 
Pois bem, diante de toda essa mobilização, as crianças ficaram inquietas, algumas em dúvida. Como bom professor que sou, resolvi colocar alguns pontos da mobilização em discussão.
Em aula com os alunos de 6 aninhos, perguntei:
_ Vocês sabem o que é greve? _ Duas crianças levantaram o bracinho.
_ É quando não tem aula.
_ E tu, meu anjo, sabe o que é?
_ É quando a  gente fica em casa brincando...
_ Hum... não é bem assim... Greve é quando o professor diz que não vai dar aula para as crianças. _ As crianças me olharam com certo espanto e estranhamento.
_ E vocês sabem por que não vou dar aulas?
_ Nãaaaaao. _ Responderam em coro, com carinhas ávidas pela resposta.
_ É porque o prefeito não está se comportando! _ As crianças ficaram com a cara feito um pandeiro!
_ Mas sor, o prefeito não se comportou?  _ Perguntou uma guriazinha, rompendo o silêncio.
_ Não! Ele não tá pagando o que o professor tem que receber pra dar aula pra vocês... Nem o prof, nem a professora Cerani, nem a professora Denise. Por isso... eve eve eve, vamo fazer greve!

O tempo da aula já havia terminado e a professora Roselaine adentrava à sala para a troca de períodos.

http://www.diariodecanoas.com.br/canoas/451037/professores-fazem-protesto-pelas-ruas-do-centro-de-canoas.html







quarta-feira, 10 de abril de 2013

No meio da aula, de repende fui interpelado...

As crianças em geral tem uma peculiaridade (na verdade nem tão peculiar assim, afinal, tenho alguns tantos alunos adultos que fazem a mesma coisa...), são capazes de, facilmente, olhar para os professores com cara de que estão prestando atenção e fazer um comentário completamente fora daquilo está sendo explicado... 
Assim foi o que aconteceu numa das minhas aulas com as criancinhas de 6 anos...



_ Professor André!!! - Chamou uma guriazinha fofa no meio da explicação de uma brincadeira.
_ Oi meu amor... - Olhei atento, suspeitando ser alguma dúvida.
_ Sabia que o meu pai me abandonou??? #cara na poeira#
Após alguns segundos sem saber o que dizer, brilhantemente, interagi com a menina.
_ Ahnnn, e agora, meu anjo? _ Perguntei com voz doce.
_ Agora que eu não tenho pai. 
Novamente sem saber o que fazer, respondi.
_ Hummmm, então vamos prestar atenção aqui no quadro, senão, depois ninguém vai saber brincar lá no pátio...



Outro dia, em outra turma de crianças de 6 anos, adentrei a sala e coloquei os alunos pra dentro. Era segunda feira e nas segundas as criaturas chegam cheias de novidades querendo socializar...
Logo depois de colocá-los sentados e organizados nas classes um aluno levanta a mão e já sai falando...
_ Professor, sabia que o meu primo fulaninho queria matar minha tia com uma faca? #cara na poeira again# E dessa vez não fui só eu. As crianças se impressionaram, uma menina chamou até por "Nossa Senhora"  e tapou com a mão a boca aberta de espanto.
Querendo saber um pouco mais sobre aquela história, peguntei.
_ Capaz, filho..., mas porque? 
_ Ele dizia que queria isso e aquilo e ela disse que não, daí ele quis matar ela.
_ Ahhh, meu Jesus Cristo, vamos parar com essa conversa e começar a aula!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Professor, me ajuda com as continhas de dividir?

Há aproximadamente duas semanas, a secretaria de educação do município de Canoas havia agendado um programa de recuperação em rede para as crianças que estivessem com alguma dificuldade no processo de ensino-aprendizagem. Assim, os alunos que estivem bem iriam embora pra casa às 16h. Os demais ficariam na escola fazendo atividades de reforço.
Enfim, era sexta feira e eu fui solicitado pela equipe diretiva a acompanhar um dos 4ºs anos com a recuperação. Fiquei apreensivo, mas logo fui acalmado pela supervisora.
_ Não te preocupes, André, a Denise deixou atividades em uma folhinha para as crianças. Elas sabem o que fazer.
Soou o sinal, passei na sala da professora Elisa, peguei as folhinhas e distribui para as crianças.
De fato as criaturas estavam bem autônomas, além disso, o conteúdo era tranquilo... tinham frases para serem feitas, uns numerais para escrever por extenso... enfim, coisas que eu saberia ensinar para as crianças.
Entre uma olhadela e outra pelos trabalhinhos dos alunos, ouvi uma menina chamando:
_ Professor, me ajuda com as continhas de dividir?
Dirigi-me para a mesa dos professores e convidei a aluna para me mostrar qual era sua dúvida. De modo pontual me fez uma pergunta simples que respondi afirmativamente. A menina voltou para sua cadeira, sentou-se e terminou o exercício. Logo depois uma outra aluna também me solicita ajuda com as continhas. Do mesmo modo coloquei a guria sentada do meu lado. Peguei o papel e havia uma conta armada: 1.064/8. Jesus Cristo, pensei. Peguei um rascunho e uma caneta e fui fazer a tal da conta. Graças a Deus, logo cheguei ao resultado... Ufa, primeiro aperto resolvido, eu sabia fazer a conta. Eis que surge o segundo... Como fazer a criatura entender o que eu fiz? Obviamente não bastava a criança me ver fazendo a conta pra ela aprender.
Mais ligeiro que um gato, perguntei à aluna.
_ Fulana, como foi que a prof. te ensinou fazer?
_ Ahhh, sor, não sei...
_ Como é que foi Carlito?
_ É assim, sor, tu pega esse 8 aqui e bota debaixo do 10 (recapitulando, a conta é 1.064/8)
_ Hummm??? mas dez dividido por oito sobra 2 e não oito!!!
_ Ahhh, sor, sei não... foi assim que a sora ensinou.
Fiquei com a cara na poeira!  Eu só pensava... e agora? E a minha reputação perante às crianças? Além de analfabeto, como pensavam as crianças do segundo ano, estaria fadado à fama de professor que não sabe fazer continhas de dividir!!!
Coloquei-me a pensar... Deus do céu, como que eu faço? Quando de repente, uma luz se fez e eu disse...
_ Guria, faz assim. Pega esse papel de rascunho e faz 10 bolinhas.
_ Tá... já fiz...
_ Por quanto tu tens que dividir essas 10 bolinhas?
_ Por 8, sor. 
_ Então tu marca com um x em cada bolinha e vai formando grupinhos de 8 bolinhas com x.
_ ...
_ Pronto?
_ Sim. Deu um grupinho.
_ Isso, guria! Quantas bolinhas sobraram?
_ 2.
_ Então bota aqui debaixo do dez esse 2...
E assim, quase intuitivamente propus uma didática para ensinar continhas de dividir. Foi inevitável o orgulho que senti de mim mesmo... praticamente um gênio da matemática.
E assim fui ensinando as crianças que iam se amontoando ao redor da minha mesa solicitando auxílio.
Pouco tempo depois sou novamente surpreendido com outro aluno.
_ Sor, olha essa continha aqui...
Era uma coisa enorme, tipo 82000/15.
_ Eu vou ter que fazer 82 bolinhas e depois fazer grupinhos de 15 até dar 82?
Naquele momento o sentimento de orgulho veio abaixo e eu pensava. Não pode ser... deve ter outro modo de fazer isso... sem uma resposta rápida e já sem imaginação pra tentar inventar uma desculpa, disse:
_ Cara, assim, segunda feira tu pergunta pra professora Denise se tem um jeito mais fácil. Hoje tu faz as bolinhas e vê o que dá.
A coitada da criança voltou-se pra sua mesa. Antes de se sentar, o sinal de término da aula soou. Que alívio!!!
Dois dias depois na sala dos professores...
_ Professora Denise, quase morri pra ensinar as crianças fazerem continhas de dividir! Credo que coisa mais difícil!!!
_ hahahahahaha - riu a maldita - E como tu fez, professor André?
_ Mandei fazer bolinhas... _ Neste momento a mulher olha pra mim com cara de pena e diz:
_ Professor André... a gente não pede pra fazer bolinha há anos!!! _ Como se não bastasse, outra professora linguaruda emendou com sorriso nos lábios:
_ Ehhhh, a gente incentiva o uso da tabuada!
_ Ahhhh, pois é! Agora tu vai ter dois trabalhos: tirar a bobagem que eu fiz da cabeça das crianças e ensinar as continhas pras coitadas!!! Agora deixa eu ir pra minha aula que não é de matemática!!!