quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Professor, o senhor sabe ler?

Em comemoração ao reinício das aulas - amanhã temos reunião de professores para acertarmos os detalhes das aulas (Educação Básica) que começam na segunda dia 28-o2 - preparo este post relembrando uma das últimas historinhas do ano passado.

Já estávamos no mês de dezembro, em um horário em que eu estava sem aula, quando aproveitei para adiantar a correção de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Sentei-me no banco da quadra com o texto e uma caneta quando um aluninho sentou-se ao meu lado. Ele chama-se Juca e recém tinha feito 7 aninhos. O Juca é um fofo, é uma das menores crianças da sua classe e é muuuuito afetivo.
Então, Juca sentou-se ao meu lado no banco e de repente ja havia apoiado as costas em mim. Aproveitei e passei o braço por ele...
Como eu estava lendo e ele se alfabetizando, perguntei:
_ Juca, tu já sabe ler?
_Algumas coisas, ele respondeu.
Peguei a caneta e passei a sublinhar algumas palavras, pedindo que lesse para mim. Ele já sabia ler um monte de coisas, só tinha dificuldades com as palavras maiores...
Passados alguns segundos, o aluno vira-se para mim e pergunta:
_ Professor, o senhor sabe ler?
_ Sim! Respondi! Quer ver?
Nesse momento passei a ler um parágrafo inteiro do meio do TCC da aluna da faculdade... o guri ficou olhando, meio impressionado. Num súbito ataque de desdém, o aluno disse...
_ Hummm! O senhor não sabe ler nem Beyoncé!
Para reestabelecer a hierarquia professor-aluno, respondi prontamente:
_ Sei ler e sei até escrever...
_ Duvido! Dizia o aluno incrédulo.
 _Quer ver? Vou soletrar pra ti.
Os olhos do aluno se iluminaram, mas se manteve quieto à espera do prometido.
Passei então a dizer as letras:
_ B; E; I; O; N; C; E, e o último É tem um acento agudo. Viu só como eu sei...
Uma pausa se instaurou em meio ao diálogo...
_ Mas professor, não tem um Y?
_ Ih...  é mesmo, meu filho, esqueci...
_ Viu só como tu não sabe ler...    :-s

Bom recomeço de aula a todos nós...

sábado, 8 de janeiro de 2011

Professor Homenageado - Atualizado.






A formatura acontece em 05 de fevereiro e esta é a primeira homenagem que eu recebo.  Um beijo grande aos meus alunos... Obrigado pelo carinho!

Atualizando... fotos da formatura.



domingo, 31 de outubro de 2010

Dia dos professores

15 de outubro, sexta feira, foi o dia em que se comemorou o dia dos professores... Na escola houve um almoço especial, momento em que confraternizamos a data. Depois de comermos e rirmos, como é de costume, nos encaminhamos à sala dos professores para organizarmos a aula que se iniciaria às 13:15.
As sextas feiras são dias especialmente agitados para mim. É o dia da semana em que dou aulas para as turmas mais turbulentas da escola.
13:15 o sinal bate. Pego meu material e me encaminho para a sala. As crianças já estão me esperando, mas não de modo organizado... longe disso. A turma que pego no primeiro horário é, por assim dizer, um tanto quanto inquieta.
Depois de alguns minutos em frente a sala organizando as crianças, entramos para começar a aula. O tumulto, logo que entraram, se fez presente, como de costume. Neste momento, fui surpreendido por um aluno cabisbaixo...
 _ Oi professor - Tratava-se de um guri bem tímido. O que ele tem de tímido, tem de violento. Anselmo é um pouco maior e um ano mais velho que os demais coleguinha e adora distribuir chutes e pontapés...
 _ Oi meu filho, como vai?
 _ Professor, feliz dia dos professores... - Nesse momento fui surpreendido por aquele guri que há todo momento ouve de mim "Anselmo, não chuta o fulano", "Anselmooooooo, já falei pra largar o beltrano", Anselmo, não é possível, cara... vai ficar sentando aqui no banco até tu te acalmar". Era como se uma luz iluminasse aquela criança... eu pensei... que amor... que afetuoso. Me comovi.
 _ Oi Anselmo, muito obrigado, me dá aqui um abraço de dia dos prof!

Nos abraçamos e Anselmo seguiu para sua mesa. Acompanhei a criança com os olhos enternecidos...
No caminho até se sentar, Anselmo deu um tapa na cabeça de um colega, chutou três cadeiras, duas mesas e sentou-se. Atônito, olhei para a turma, fiz uma pausa que durou um piscar de olhos e disse:

_ Ok, ok... DEU PRA VOCÊS!!! NÃO QUERO NINGUÉM MAIS EM PÉ!! OUVIRAM??
Enquanto organizava as crianças, pensava: Professor, feliz dia dos professores...

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

"Prof, quantos anos tu tens?"

Hoje pela manhã, acordei, tomei banho e me dirigi ao local de prática de estágio acadêmico. Tenho dois alunos sobre a minha supervisão que atuam em uma política pública de Lazer no município de Ivoti. Lá eles dão aulas para três turmas de aproximadamente 10 - 12 crianças. Particularmente eu adoro estar na supervisão de estágio. As crianças não são minhas alunas e quem tem que planejar e dar conta dos "problemas" das aulas são os supervisionandos... eu só dou "pitaco" e fico brincando com as crianças... é super legal!
Então, hoje estava junto com as crianças, quando uma outra professora (que também é minha aluna no curso de Ed. Física) apareceu e começou a brincar conosco. Brincadeira vai, brincadeira vem, uma criança vira-se pra mim e pergunta:
_ Professor, quantos anos tu tens?
Olhando para o guri, respondi  com outra pergunta.
_ Quantos anos tu achas que eu tenho?
_ Hummm, VINTE!!!!
Mais que depressa mostrei meu dedo polegar em sinal de "jóia" e estampei um baita sorriso no rosto, afinal, dos 20 anos, já passei há algum tempo...
_ Acertei??? - Perguntou o aluno.
_ 20 anos, pra mim, está ótimo...
_ E a senhora, professora, quantos anos tu tens?
Adotando a mesma estratégia, a aluna respondeu:
_ Quantos anos tu achas que eu tenho? (deve beirar os 25 anos)
_ Hum.... CINQUENTA!!!
Nesse momento já comecei a rir... A aluna olhou pra mim com um pequeno sorriso no rosto e disse:
_ Eliandro, tu tem avó?
_ Sim.
_ Então, pensa na tua avó. Ela deve ter 50 anos...
_ Hummmm... - Respondeu a criança.
_ Entendeu agora o que é ter 50 anos?
_ Sim.
_ Agora pensa na tua avó e olha pra cara da prof...  Quantos anos tu achas que eu tenho?
Nesse momento olhei atentamente para a criança. O rosto de Eliandro havia se iluminado em uma feição de descoberta e entendimento. Ele estava ansioso para dar a resposta depois das explicações da professora...
_ E então, quantos anos tu acha que a prof tem?
_ Eu sei, eu sei... SESSENTA!!!!
Sem conseguir ficar parado na cadeira, levantei-me às gargalhadas... Eu olhava pra cara da aluna e ria mais ainda de suas feições de desapontamento. Coitada, ela ficou completamente frustrada ao mesmo tempo em que ria da  espontaneidade da criança.

Mais tarde ele atribuiu idade a todos os profes... eu saí completamente feliz da supervisão de estágio. Ao final da manhã eu era o prof mais jovem de todos hahahahahahaha. Adoro o Eliandro...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Lea T





Nascida no Brasil, Lea T tem 28 anos, é modelo, frequentou à Escola de Artes em Florença, à Faculdade de Veterinária em Milão e é assistente pessoal de Riccardo Tisci, importante nome da grife francesa Givenchi. O corpo de Lea apresenta a coleção Givenchi outono/inverno 2010-2011 e encerra o conceito de trânsito entre as referências masculinas e femininas no disign de suas roupas.

Na edição de agosto, Lea ganhou uma página inteira na revista Vogue francesa, expondo seu corpo. Com os longos cabelos soltos, sutilmente Lea cobre os seios com uma das mãos enquanto a outra deixa à mostra parte de sua genitália.  Lea T é um transsexual e sua anatomia causa estranhamento. Sua beleza fascina ao mesmo tempo em que seu corpo desacomoda o olhar...

Talvez não fomos educados a contemplar a diversidade... acho mesmo que não. No meu fazer docente, percebo um profundo incômodo quando as categorias Homem e Mulher, masculino e feminino não nos servem para classificar as pessoas. A partir disso, outras surgem: Travesti, Transsexual, Drag Queen, etc. A grande questão que se coloca mediante a isso é que, geralmente, vemos os usos dessas categorias associados ao demérito, ao preconceito, à discriminação. A diversidade de corpos, de constituições de gênero, de sexualidade, de etnia, cor, etc, operam como marcadores a hierarquizar os sujeitos. Para mim, é inconcebível as prerrogativas dos corpos brancos, heterossexuais, das masculinidades e feminilidades hegemônicas.

Enfim, depois de toda essa conversa, acho mesmo que deveríamos refletir sobre o sofrimento causado pelas discriminações e preconceitos, pelas piadas e palavras impensadas...

Por fim, desejo muito sucesso à Lea e que seu corpo, sua beleza e diversidade nos ensine a conceber a diferença e a reconhecer nela os méritos que lhes são próprios...








quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Noções de etiqueta

Há poucos dias estava no telefone falando com um amigo, mestrando em um Programa de Pós Graduação da UFRGS... conversa vai, conversa vem, o guri me falou de um e-mail que havia recebido de seu orientador. Pela descrição rápida que recebi por telefone, o e-mail era um tanto macabro pois carregava, ao longo do texto, a palavra DES-LI-GA-MEN-TO. Achei aquilo assustador. Enfim, procurei entender o que estava havendo e ouvi algumas críticas ao orientador... Neste momento, eu, professor e também orientador (por enquanto só oriento TCCs), ouvi os mesmos queixumes que fazem todos os orientandos do mundo. Sim. Porque orientando que é orientando sempre vai chorar as pitangas para os outros em vez de resolver os problemas com o orientador... mas enfim. O que quero dizer é que não deu pra ouvir aquela lamúria sem me colocar no lugar daquele orientador prestes a desligar o guri... Assim sendo, a partir daquele telefonema, resolvi escrever este post para lançar algumas noções de etiqueta no trato com o orientador.
Antes, entretanto, de acessar o que é de bom tom na relação orientando-orientador, responda ao questionário abaixo e verifique se você sabe o que está fazendo (TCC, monografia, dissertação, tese etc) ou se é um completo "sem noção".

Teste de noção para orientandos...
Se você for um orientando de algumas das modalidades acima descritas, responda o questionário.

1) Quem é o autor do trabalho?
2) Quem vai receber o título?
3) Quem precisa terminar a pesquisa?

Se respondeu "EU"  a todas, você sabe o que está fazendo e já é um bom passo em direção ao sucesso...
Se respondeu Nós a uma das questões, está faltando bom senso... reflita!!!
Se respondeu Nós para duas ou para as três questões, vc é um completo "Sem noção"!!!

Enfim, agora que já é capaz de reconhecer o grau de "consciência" que possui com relação ao SEU trabalho, vamos conversar sobre algumas atitudes que podem auxiliar no processo de tecitura da pesquisa. Pois bem, o que tenho notado das pessoas que se enveredam na produção de textos monográficos é que há um grande desperdício de tempo e de energia reclamando do orientador, dos textos que ele deixou de ler, dos e-mails que ele deixou de responder, bla, bla, bla... quando dois ou mais orientandos se reúnem então.... sai de baixo... até quem não nada para reclamar inventa pra não ficar sem assunto... O que acaba acontecendo, às vezes, é que muita gente tem "vivido demais a tese", sofrendo demais com o processo e se esquecendo de construir o texto... Sinceramente, acho até legal essas angústias causadas pelo processo de "criação", mas também é igualmente, ou mais satisfatório, sair dela. Assim sendo, preste atenção nos passos a seguir para que possa construir uma boa experiência de pesquisa...

1 - Assuma a autoria do texto.
2 - Gaste menos energia reclamando e empregue-a na leitura de mais artigos.
3 - Antes de solicitar auxílio do orientador para resolução de um problema, reflita "será que não sou capaz de resolver isso sozinho"?
4 - Revise o texto com calma antes de mandar para o orientador.
5 - Mesmo que a parte do texto em que está trabalhando não esteja acabada, esboce o caminho que quer seguir (Ninguém merece uma série de parágrafos em sequência que não estão articulados, que possuem ideias soltas)
6 - Faça o que teu orientador te pedir para fazer, e se possível, faça mais...
7- Você só tem 1 (UM) orientador e mesmo que tenha um co-orientador, mantenha cautela...
8- Mande e-mails periódicos dizendo o que está fazendo (Por favor e-mails curtos e sem perguntas do tipo: "qual o tamanho de fonte devo usar?"

Enfim, seguindo esses passos você será um grande candidato a acadêmico de sucesso...
Dito isso, despeço-me.

PS: Esse post será leitura obrigatória a todos os meus orientandos e espero, do fundo do coração que as demandas consumam minha orientadora impossibilitando-a de ler o que está escrito aqui hehehe

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Mais uma do Marcelo Augusto hehehe

Hoje à tarde, estava em aula com uma turma quando Marcelo Augusto (8 anos) chegou pra mim e disse:
_ Professor é verdade que se a gente chamar a Maria Degolada no banheiro ela aparece à meia noite? _ O guri estava sério. Não me parecia preocupado, nem angustiado, mas não fez, sequer, um esboço de sorriso.
_ Sim, é verdade Marcelo Augusto. Tu chamou por ela no banheiro?
_ Sim.
_ Quantas vezes?
_ Algumas vezes, porque?
_ Por que tu tem que chamar três vezes, eu acho... Tu chamou mais de três?
_ Eu chamei duas...
_ Ah, bom... vê com a professora Valéria (professora da biblioteca e da hora do conto) quantas vezes são, ao certo. Ela está na sala dos pequenos...
O aluno foi em direção à sala e bateu à porta. Sem que percebesse, desloquei-me por trás dele e fiz gestos com a mão, induzindo a professora a confirmar que três era o número de vezes que se tem que chamar a tal alma penada.
Depois de receber a informação precisa da professora eu disse, viu só, Marcelo Augusto... Agora vai pra tua sala!
Passados uns vinte minutos, volta o guri:
_  Soroooo, ô soro...
_ Oi meu filho.
_ É verdade que quando a gente faz xixi na cama é porque a Maria Degolada já veio?
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