quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Mais uma do Marcelo Augusto hehehe

Hoje à tarde, estava em aula com uma turma quando Marcelo Augusto (8 anos) chegou pra mim e disse:
_ Professor é verdade que se a gente chamar a Maria Degolada no banheiro ela aparece à meia noite? _ O guri estava sério. Não me parecia preocupado, nem angustiado, mas não fez, sequer, um esboço de sorriso.
_ Sim, é verdade Marcelo Augusto. Tu chamou por ela no banheiro?
_ Sim.
_ Quantas vezes?
_ Algumas vezes, porque?
_ Por que tu tem que chamar três vezes, eu acho... Tu chamou mais de três?
_ Eu chamei duas...
_ Ah, bom... vê com a professora Valéria (professora da biblioteca e da hora do conto) quantas vezes são, ao certo. Ela está na sala dos pequenos...
O aluno foi em direção à sala e bateu à porta. Sem que percebesse, desloquei-me por trás dele e fiz gestos com a mão, induzindo a professora a confirmar que três era o número de vezes que se tem que chamar a tal alma penada.
Depois de receber a informação precisa da professora eu disse, viu só, Marcelo Augusto... Agora vai pra tua sala!
Passados uns vinte minutos, volta o guri:
_  Soroooo, ô soro...
_ Oi meu filho.
_ É verdade que quando a gente faz xixi na cama é porque a Maria Degolada já veio?
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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

E mais um semestre se inicia...

Pois é meu povo... mais um semestre se inicia e eu escrevo este post pra interromper a abstinência textual. E sabem o que é pior? Desde a última postagem aconteceram várias coisas dignas de serem socializadas. Outro dia estava no quarto onde guardamos os materiais da Ed. Física, quando uma aluna adentrou o recinto esbaforida...
- soooooooor, soooooooooooor, o vizinho "tacou" ovo na gente!!!  
Rapidamente respondi ao chamado...
- Que isso guria? Tá doida? Quem atirou ovo de onde?
Peguei os materiais para a aula e fui até a quadra ver o que havia acontecido. Um grupo de alunos estava bem envolvido com o caso do ovo, então, pra não perturbar a "tranquilidade" dos outros tantos, atendi aos grupos que estavam brincando para, só então, averiguar a ocorrência.
Genteeeeeeeeeeeee, havia um ovo espatifado no meio do pátio! As gurias diziam que tinha acertado a fulana, mas que o ovo não havia quebrado no casaco dela....
Pra não tumultuar chamei logo as crianças pra aula e voltei mais tarde aos vestígios do ato. Inacreditável... o vizinho atirou dois ovos nas crianças da escola. Eu, obviamente, fui rindo chamar a Coordenadora Pedagógica, afinal, nunca li sequer um texto na faculdade que explicasse como devemos proceder no caso de alguém atirar ovos  na escola...
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Quinta feira dia 05 de Agosto foi um dia que choveu bastante pela manhã, deixando a quadra molhada. Estava em aula com os pequenos, de 06 anos, e resolvemos ficar na sala e brincar ali mesmo. Aproveitei a oportunidade, uma vez que há um tempo venho trabalhando as questões relativas ao ritmo e expressividade (apesar de eu mesmo ter sérias dificuldades com esse conteúdo). Ao longo do semestre venho tentando ensinar músicas, palmas e passos simples para os alunos. Entretanto, sempre que chego com uma música diferente, a resposta deles é a mesma: "ah, essa é a música da XUXA! Obviamente que deixei de acompanhar as produções artístico/intelectuais da rainha dos baixinhos há um bom tempo... o que faz de mim alienado do universo musical infantil...
Pois bem, ensinei a música dos "Amigos de jó" que, segundo as crianças era da XUXA. Ensinei "Cabeça, ombro, joelho e pé", que sem dúvidas, é da XUXA. Estou ensinando Piruetas, essa é do Chico Buarque, e as crianças disseram que é da XUXA... Respirei fundo e passou...
Pois na aula do dia 05 de agosto comecei a ensinar "Adoleta", quando me surpreendi mais uma vez com os alunos  dizendo ser da XUXA...
Ao ouvir aquilo um exu marxista apossou-se do meu corpo me fazendo erguer o dedo indicador da mão direita e dizer:

Genteeeeeeeeeeeee, a Xuxa é uma oportunista, um ser desprezível construído pelo capitalismo de consumo no qual vivemos nos dias de hoje. Essas músicas não são da XUXA, já existiam muito antes dela regravar!!! Muito antes dela ser namorada do Pelé!!!!
Num lapso de lucidez, olhei para as caras das crianças... estavam imóveis, algumas com breve sorriso no rosto, todas com os olhos arregalados...
Novamente ciente de mim, disse:
Vamos cantar a música e parem de dizer que tudo é da XUXA!!!!

terça-feira, 6 de julho de 2010

Fim de semestre

Mais um semestre se encaminha para o fim... correria para fechar notas, lançar frequencia, preencher diários, ler TCCs... ufa, muita coisa em pouco tempo. Chega a ser engraçado olhar para os colegas professores... é unânime o cansaço estampado no rosto. Porém... a jornada está terminando. Como balanço de 2010/01, sinto-me com o dever cumprido... tive bons indícios de aproveitamento de muitos de meus alunos... acho que em maioria, aprenderam o que as disciplinas propuseram... outros, entretanto, simplesmente passaram pelas cadeiras. Às vezes isso me entristece um pouco, mas enfim, cada um tem seu tempo...

No mais, me diverti mais do que me estressei (com os alunos) e vamos aguardar porque certamente no próximo semestre teremos mais coisas inusitadas para postar.

Abraços

domingo, 20 de junho de 2010

Festa Junina

Era uma quinta feira e estava em aula com uma turma que se organiza bem e já sabia como fazer as atividades que propus. Isso me possibilitou conversar mais de perto com alguns alunos e passar orientações mais precisas, em pequenos grupos. Em uma das minhas andaças, orientando as crianças, vi um aluno de outra turma sentado no banco, observando a aula. Não é rara presença dele naquele banco, o que muda são os motivos que o levam para fora da sala: a professora o convida a se retirar; ele sai por conta própria (fugido); as vezes pede para ir ao banheiro e não volta mais... enfim.
Como prática, eu nunca o repreendo. Sempre converso sobre coisas banais e, percebendo que ele está calmo no dia, peço que ele volte para sala. Marcelo Augusto (nome fictício) é assim, um pouco inconstante e isso dificulta o trato... Apesar disso, ele é um guri fofo, tem 8 anos e está cursando, pela segunda vez, o segundo ano.
Mas então, voltantdo à minha aula de quinta feira... encontrei o Marcelo Augusto observando a aula, quando me reportei a ele.
_ Oi Marcelo Augusto, como vai?
_ To bem...
Passados alguns segundos, eu já estava sentado do lado dele, quando me perguntou:
_ Professor, o senhor vai vir amanhã na festa junina?
_ Sim, é meu dia de trabalho, amanhã...
_ Eu não vou vir de gaúcho... disseram que é pra gente vir de gaúcho, de prenda ou de uniforme. Eu vou vir de uniforme porque de gaúcho eu não vou vir.
_ E porque tu não vem de prenda?
_ Eu não sou guria...
Atento a ele, respondi...
_ Hummmmm
Em seguida ele disse...
_ Essa festa junina tá muito estranha...
_ Porque, Marcelo Augusto?
_ Eles pediram pra gente trazer coisa pra ajudar, coisas de comer... Mas ta escrito no bilhetinho que amanhã a gente vai ter que comprar as coisas. O cara vai ter que comprar as coisas que ele mesmo trouxe!!!!
Suspeitando da perspicácia do aluno perguntei...
_ Quem te disse isso, Marcelo Augusto?
_ Ninguém...
_ Da onde tirou essa idéia?
_ De lugar nenhum, da minha cabeça...
Olhei pra criança. Ri meio impressionado e disse...
_ Vai Marcelo Augusto... volta pra tua sala que a professora deve estar te procurando...

terça-feira, 8 de junho de 2010

E pra que serve tudo isso??

Hoje tive um dia atípico pra um professor. Sabe quando tu vence o conteúdo e sobra uma aula? Não? Então imagine... pois foi isso que aconteceu. Em uma das minhas turmas do ensino superior tivemos todas as 20 aulas previstas no calendário, ou seja, não houve feriado, liberação de alunos ou coisas do tipo. Além disso, a turma de aproximadamente 25 alunos proporcionou um bom andamento da matéria. Pois bem... matei o conteúdo todo e ainda restava uma aula... o que fazer? Passei a semana do feriado pensando o que abordar... as temáticas possíveis foram muitas, consultei os livros, meus acervos de aula e cheguei à conclusão de que essa não deveria ser uma aula para os alunos. Não. Essa deveria ser agradável, sobretudo, para mim.
Assim sendo, daria um conteúdo além do programa de aprendizagem  e que, portanto, estaria fora das avaliações "formais" previstas. Dito isso, imaginem:
1 PROFESSOR ( - ) AVALIAÇÃO ( - ) OBRIGATORIEDADE DE CONTEÚDO ( + ) ALUNOS QUERIDOS =
A (    ) Conto do vigário
B (    ) Conversa fiada pra boi dormir
C (    ) Mentira cabeluda
D (    ) Condições sobre as quais preparei minha aula.
Pois foi isso mesmo, meu povo... parece mentira, mas foi verdade...
Assim sendo, resolvi discutir com os alunos as questões da indústria cultural em uma disciplina destinada a problematizar e vivenciar as questões do Lazer.
Peguei umas bibliografias e li uns textos. Depois de revisitar as teorias, coloquei-me a ver vídeos, traillers de filmes, ler fragmentos de livros de literatura, ouvir músicas... Enfim, tudo prepardo. Ao término pensei: "meus alunos vão pensar que tomo um trago antes de dar aula". Solicitei os equipamentos necessários, separei meus materiais e fui...
Depois de 4hs de aula na educação básica e 1h de transito na 116 cheguei "zen" para dar aula... Tomei um banho demorado, pedi algo pra comer e instalei toda a tralha.

As criaturas chegaram e as classes estavam dispostas formando um U. Entraram na sala e perguntaram:
 _ O que é isso?
Gentilmente respondi.
_ Cadeiras e mesas. Sentem-se logo e fiquem quietos.
Depois dos risos iniciais, começamos a aula...
Disse aos alunos:
 _ Gente, hoje não vou fazer chamada, não vou avaliar a aula. Hoje a aula será conteúdo extra.
Imediatamente 3 ou 4 alunos se levantaram pegando as mochilas... Eu quase morri de decepção... Mas no fim estavam brincando. Sentaram-se logo e riram com a piada. (Digo que achei a piada de péssimo gosto... já estava me sentindo o último dos mortais... DEFINITIVAMENTE ISSO NÃO SE FAZ).
Enfim, comecei... amarramos um entendimento acerca do termo indústria cultural, mostrei traillers de filmes, clips e músicas dos mais variados estilos. Conversamos sobre o caráter massificante da indústria cultural; a quem servia; os elementos de superficialidade, senso comum e consumo fácil de seus produtos etc. Fechamos a discussão e liberei os alunos pro intervalo.
(Alguns alunos nem foram para o intervalo e ficaram em sala conversando ali próximo a minha mesa sobre cantores bem legais, rodas de samba e música ao vivo... cerveja artesanal e coisas do tipo. Bons alunos. Bem queridos. Ali, mesmo sem a pretensão de avaliar, foi possível perceber que foram tocados pela discussão.)
De volta do intervalo, encontraram no chão da sala, colchonetes. Pedi para que se sentassem e, ao som de uma música suave, iniciei um alongamento leve. (a parte do alongamento não tinha nada que ver com o conteúdo da aula, mas é uma boa estratégia pra "sossegar o facho" dos alunos que voltam eufóricos do intervalo).
Feito isso, disse a eles:
_ Gente, dando continuidade à primeira parte da aula, vou mostrar coisas que eu curto a vocês. Deixei eles ali no chão sentados, outros deitados à meia luz e me pus a ler trechos de livros. Eu lia e eles ouviam, lia e faziam que ouviam, outros tantos nem faziam e mantinham o fone de ouvido... (esse vai rodar na cadeira e vai fazer semestre que vem novamente hehehehe). Para terminar mostrei um vídeo que eu adoro...
Depois, levantei-me. Acendi as luzes. Os olhinhos dos alunos ainda estavam fechados com a luz excessiva que voltava a emanar das lâmpadas, quando perguntei:
_ Meus amores, diz pra mim... Me diz pra que serve isso tudo que eu mostrei pra vocês? (Falava dos fragmentos de textos, músicas e vídeos que eu curtia)
Sem muito demorar uma aluna respondeu:
_ Pra gente poder refletir.
_ Hum, muito bem, respondi.
_ Pra gente ampliar as nossas possibilidades e acessar outras coisas.
_ Isso também pode ser.
_ Pra gente criticar as coisas...
_ Excelente, disse.
Interpelando o pensamento deles fiz outra pergunta:
Gente, se vocês tivessem me feito essa pergunta, sabe o que eu responderia?... (Silêncio se fez...) 
Pra P... nenhuma. Isso que mostrei pra vocês não serve pra p... nenhuma.
Alguns esboçaram um sorriso, outros arregalaram os olhos... caras de espanto.
Ponderei... o lazer e todas essas coisas que mostrei para vocês, não devem ser concebidos nessa perspectiva funcionalista e utilitária... essas coisas devem nos divertir e isso, pra mim, já tá de bom tamanho. Que nos divirta e, se for capaz de agregar coisas, melhor ainda...
Olhei novamente para aquelas caras e vi que estavam mais calmos... mas minha aula não deveria acabar assim. Não essa aula!
Dirigi-me, mais uma vez a eles dizendo.
_ Gente, como disse, essa aula é conteúdo extra. Logo, vocês podem fazer o que quiserem com essa baboseira que eu falei pra vocês. Pensem, reflitam, ou, se quiserem... esqueçam tudo o que eu disse; podem até dizer que eu to variando...
Um beijo grande... nos vemos na semana que vem...
Novamente olhar de espanto... e um boa noite, meus amores, encerrou a aula.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Em débito...

Pois é, gente... sei que to em débito com o blog, mas juro que não rolou nada que eu pudesse postar aqui... assim sendo, to preparando um texto que conta um caso que aconteceu há uns seis meses...
Posto até o fim da semana...

Beijos

domingo, 23 de maio de 2010

Chloe

Estava em casa num fim de domingo, meio com fome, querendo ver gente e ser visto. Bom, pensei: vou ao cinema. A escolha não foi pelo título, nem pela sinopse, foi pelo horário. 22:15 era a única sessão viável, as anteriores já havia perdido e as outras tantas, após, terminariam muito tarde. Logo, "O preço da traição" foi a filme escolhido. Com título original, Chloe, o filme traz Julian Moore e Amanda Seyfried no elenco, o que, logo nas primeiras cenas, me deixou bastante feliz (não sabia que era com elas hehehe). Sentado na poltrona e comendo uma bobagem, deixei-me capturar e, ao longo da narrativa, me via maravilhado com a beleza, sensibilidade e complexidade atribuídas aos corpos e às sexualidades presentes naquele filme. Ainda tocado pela história, não creio que devo falar de modo mais detido sobre ela... nem mesmo, sinto-me autorizado a isso...
Se me permitem... assistam.