13:15, bate o sinal para o início da aula. Dirijo-me da sala dos professores para a turma do primeiro ano (as crianças tem 6 aninhos em média). No meio do caminho um aluno me vê e corre em minha direção. Depois de um abraço, pega a minha mão e nos encaminhamos para a sala. Por volta do terceiro passo que dávamos juntos, o guri vira-se para mim e diz:
_ E aí, vô?
Assustado olho para a criança e digo:
_ Vô?!?!?!
Percebendo o equívoco ele sorri e tenta se desculpar. Obviamente foi em vão porque eu continuava falando:
_ Tu tá louco, guri? Vô?! Nem filho eu tenho, vou ter neto!!!
Aproveitando minha rápida pausa para respirar, o guri argumenta:
_ Eu confundi, professor, mas é que o senhor também já é "veio", né?
Já na porta da sala, olho mais espantado ainda para a criança e a única reação possível foi:
_ O que???... Eu mereço!!! Entrem logo e fiquem bem bonitos sentados!!!!
terça-feira, 8 de maio de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
"... o que gente vai fazer nas aulas de Educação Físca?"
Reinício das aulas e eu estava no meu primeiro encontro com as crianças do primeiro ano. Em média os alunos têm 6 anos e vêm da Educação Infantil. Pra eles tudo é novidade. Não conhecem a escola, os professores nem a organização do espaço pedagógico.
Pois então... estávamos no nosso primeiro encontro...
Recebi os alunos na porta da sala e, já na entrada, me olharam desconfiados. Sentaram-se e eu pedi silêncio. Apresentei-me como professor André, o professor de Educação Física! As crianças me olhavam impressionadas!
Já fazendo os encaminhamentos da aula perguntei:
Pois então... estávamos no nosso primeiro encontro...
Recebi os alunos na porta da sala e, já na entrada, me olharam desconfiados. Sentaram-se e eu pedi silêncio. Apresentei-me como professor André, o professor de Educação Física! As crianças me olhavam impressionadas!
Já fazendo os encaminhamentos da aula perguntei:
_ Vocês sabem o que a gente vai fazer nas aulas de Educação Física? _ Alguns disseram não, outros somente fizeram um gesto em negativa com a cabeça, quando de repente, um aluno levanta o braço e sai dizendo!
_ Eu sei professor!! A gente vai aprender inglês!!! _ Ri e respondi:
_ Não. Inglês vocês vão aprender nas aulas de inglês, oras!
_ A gente vai fazer cambalhota! _ Arriscou outra criança!
_ Isso!!! Vamos fazer cambalhota!! O que mais?
_ Brincadeiras!!
_ Isso!! O que mais?
_ A gente vai brincar no pátio, com bola!!
_ Muito bem!!
Fiquei feliz, as crianças já conseguiam localizar a disciplina e o que iriamos fazer durante as aulas.
Mediante o retorno positivo que dei a alguns alunos, todos começaram a falar de uma só vez. Posicionei-me e solicitei silêncio.
Quando já estavam se acalmando, um guri vira-se pra mim e diz:
_ Professor eu sei de que a gente vai brincar! _ Sem esperar que eu pontuasse, emendou:
_ A gente vai brincar de médico!
Arregalei os olhos de susto, afinal, não estava esperando por aquilo. Junto ao susto comecei a rir discretamente e logo saí em resposta:
_ O que é isso guri!! De onde tu tirou isso, Jesus Cristo!!! Ave Maria!!! Não tem nada disso de brincar de médico.
Balbuciei mais um "Ave Maria" e tentei não dar importância pra aquilo.
Enfim, falei mais algumas coisas com as crianças meio rindo, mas não me lembro do teor, afinal, eu só queria enrolar os alunos para que eles esquecessem aquela história... Continuei com um sorriso de canto de boca. Obviamente as criaturas começaram a rir.
_ O que foi que vocês estão rindo, Jesus? _ Perguntei.
_ É que o senhor ta rindo do Angel porque ele disse brincar de médico.
_ Ahhhh, pára guri!!! Esquece isso senão amanhã vai ter pai e mãe aqui na porta querendo saber que história é essa!!!
Enfim, na segunda tentativa fui mais efetivo e consegui enrolar as crianças pra tirar aquela história de brincar de médico da cabeça. Que eu saiba, até hoje, os pais não vieram reclamar de nada.
E assim mais um semestre se inicia...
E assim mais um semestre se inicia...
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Professor homenageado 2 :)
Povo do meu Brasil!!!! Dia 28-01, sábado, acontece no Teatro Feevale a solenidade de colação de grau dos formando em Ed Física! Com grande prazer, estarei presente no lugar de professor homenageado :P :P :P :P \o/
Ontem, durante os preparativos para formatura [sim, porque durante as férias posso tirar um dia inteiro pra organizar roupa, calçado, cabelo e bla bla bla...praticamente um dia de princesa!!!!] Resolvi criar um espaço para escrever algo e postar algumas fotos.
Gurizada do meu coração, muito obrigado pelo carinho e pela companhia durante esses 4 anos de curso. Da turma de vocês ficam boas lembranças de passagens bem engraçadas:
O professor X ao ver duas gurias abraçadas em um guri, diz:
_Ei, esse guri deve ter mel porque vocês não largam dele nunca!!
_É professor, ele tem mel sim, hahahaha, pega um pouquinho e passa na tua careca!!!
Sábado pela manhã chego para dar aula às 8:30 da madrugada, caindo de sono...
_ Hello people [era o jargão que eu usava naquele momento]
_ Oi professor - responderam
Do fundo ouço uma guria
_ André, na tua casa não tem pente? Que cabelo é esse?
Olhei em silêncio, por alguns instantes para a guria, virei-me para turma e disse. Vamos pra aula!!!
Enfim, tem mais algumas passagens bem boas que não dá pra postar aqui!!! Mas eu posso contar pessoalmente hahahahaha
Um beijo a todos e fica o carinho e a saudade.
Sábado, o abraço eu dou pessoalmente!
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Histórias Curtas - 7
Hoje, um aluno chega esbaforido e gritando:
_ Professor, num é que é bule quando chamam a gente de filho da puta?
Pra não começar a rir na frente da criança, virei de costas depois de encaminhá-la novamente pra brincadeira.
Há uns dois meses o mesmo guri grita para mim numa distância de uns 5 metros:
_ Professor, a Stéphane chamou a gente de lambisgóios!!!!
Mordendo a língua pra não rir, dirijo-me à aluna:
_ Stéphane... não chame teus coleguinhas de apelido!
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Boiola quatro bolas?!?!
Hoje, debaixo de um calor escaldante, estava em aula com as crianças. Ficamos por volta da sombra fazendo umas brincadeiras quando dois alunos começaram a discutir. De longe acompanhava toda a função, mas não quis me intrometer. De repente, um dos alunos começa a correr atrás do outro chamando o guri de Bicha.
Não tardou muito e um dos alunos começou a gritar:
_ Professoooooooooooor!!! Professoooooor, o fulano quer me bater.
_ Claro, professor ele tava me chamando de boiola quatro bolas!
_ Mas tu me chamou de bicha primeiro!!!
Chamei as crianças para conversar, sentei-me no banco e coloquei um de um lado e outro de outro antes de começar o interrogatório.
_ Ei, porque vocês estão brigando?
_ Ele me chamou de boiola quatro bolas.
_ Quatro bolas?!!? _ Perguntei surpreso.
_ Sim – respondeu o aluno.
_ Tah, mas não estou entendendo. O que é boiola?
Neste instante, um dos alunos sai fugido. E passo a pergunta para o que ficou do meu lado.
_ É um cara que fica com outro cara!
_ Hummmm. E isso é ruim?
_ É porque todo mundo fica chamando!!!
_ Tah! E esse negócio de quatro bolas? O que é isso?
_ Sabe as bolinhas que os homens têm?
_ Sim! O que tem?
_ Ele fala que eu tenho quatro. E quem tem quatro vai toda hora ao banheiro fazer o número 1.
Ouvindo isso já esbocei um sorriso e redobrei minha atenção.
_ Ah, então quanto mais bolas se tem, mais xixi se faz?
_ Aham.
_ Mas tu tem quantas bolas?
_ Duas.
_ Hummmm... E tu vai muito ao banheiro?
_ Não.
_ Porque tu tá te incomodando com isso, então, cara?
Zonzo de tanta pergunta, o aluno sai do banco meio sem saber porque sentou ali.
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Uma história triste :(
Esta história aconteceu no início desse ano... Ainda fazia calor e eu estava com os alunos da professora Cláudia na quadra. A turma que é bastante agitada fazia, "aos trancos e barrancos", as atividades que eu propunha. Sempre havia uns dois ou três alunos que se dispersavam da brincadeira para se baterem, correrem pra outro lado, atirarem coisas um no outro, enquanto eu ia ficando com os cabelos em pé!!! Em uma dessas resolvi parar de chamar os alunos "fujões" e me dedicar a aqueles que queriam brincar. Obviamente, já pensava uma estratégia para "capturar" os resistentes na próxima aula.
Brincávamos em roda enquanto via três alunos (Rick, Leonardo e Marcelo Augusto) correrem pelo pátio, pela pracinha e se enfiarem por entre as árvores da escola. Passados cinco minutos, dois dos três alunos sentaram-se e, quietos, conversavam. Achei aquilo estranho, afinal, nada aquietava aquelas crianças.
Reuni os alunos que estavam brincando comigo e os levei para tomar água e me aproximei dos três desobedientes dizendo com firmeza:
_ Vamos pra sala!
Um dos alunos vira-se pra mim e diz.
_ Professor o Marcelo Augusto machucou um passarinho.
_ Que história é essa, guri?
_ O Marcelo Augusto, professor, atirou pedras em um passarinho que estava na árvore e machucou ele. O passarinho deve estar morto! Agora ele pegou o bicho e levou pra sala
Nesse meio tempo, os demais já estavam saindo do bebedouro. Foi então que solicitei que as crianças ficassem esperando na porta enquanto eu iria resolver coisas com o Marcelo Augusto.
Agitadas as crianças começaram a gritar do lado de fora:
_ Ow Marceloooo, tu matou o passarinho!!!!
_ Eh, que maldade!!!!
Voltei ao lado de fora, passei um "belo sabão" nas crianças e solicitei que ficassem quietas.
Entrei na sala e chamei pelo guri. Num primeiro olhar não consegui ver onde estava. Percorri com os olhos mais atentos e vi a criança agachada atrás das cortinas.
_ Marcelo Augusto, tu tá aí? Tu tá com o passarinho?
A criança começa a chorar.
_ Filho, sai de trás dessa cortina. Vamos conversar.
_ Não, não vou sair_ respondeu chorando_ eu matei um passarinho. Coitado do bicho.
Nesse momento a criança pega o passarinho na mão e coloca o corpo do bicho para fora da janela ameaçando jogá-lo.
_ Marcelo, não faz isso! Deixa o professor ver se o bicho está vivo.
Aproximei-me e tirei o bicho das mãos do aluno que agachou novamente chorando compulsivamente.
O corpo do animal ainda estava quente e o sangue escorria pelo bico. Era um pardal já adulto e que estava morto.
Neste instante, o sinal soou, indicando o término da aula. Haviam pais esperando os filhos para os levarem para casa. Coloquei o bicho em cima de um armário alto para que ninguém o visse, abri a porta e pedi para que as crianças pegassem o material rapidamente.
Marcelo Augusto permaneceu atrás da cortina enquanto as crianças iam embora...
Esvaziada a sala voltei-me para a criança.
_Marcelo, vamos?
_Não, eu matei o bicho, coitadinho... O bicho morreu, não morreu?
_Sim, filho, morreu...
O choro continuava aos soluços.
_ Que tal a gente enterrar o passarinho? _ Propus. A criança olhou pra mim meio reticente. _ É, a gente faz a cova no pátio, enterra e reza pra ele ... vamos?
Com muito custo a criança levantou-se, pegou seu material e me deu a mão enquanto eu segurava o passarinho na outra. Sugeri enterrarmos o animal atrás da sala, mas a criança indicou a pracinha, em meio aos brinquedos e às árvores. Logo relacionei aquele sendo um espaço mais bonito e, sobretudo, mais alegre. Fomos à pracinha, cavamos a terra, passei o bicho para a criança que o colocou, chorando, na cova. Enterramos e fizemos uma prece. As lágrimas voltaram mais intensas enquanto proferíamos a oração. Atento, sinalizei para as professoras que ninguém se aproximasse, a fim de não constranger a criança. Terminamos a oração e chamei o aluno para irmos, mas a criança queria permanecer ali mais alguns instantes. Atrasado para o trabalho em Novo Hamburgo, despedi-me do guri e fui até a Supervisora e à diretora que nos olhavam de longe. Contei rapidamente o que havia acontecido e pedi que não comentassem nada, como se não soubessem do acontecido. Despedi-me e fui em direção ao carro. Além da supervisora a diretora ouviu a história e sensibilizada falou.
_ Vou oferecer uns pasteis pro Marcelo Augusto.
domingo, 2 de outubro de 2011
Prova no dia 13/10 ?!?!?
Desde o dia 15/09 venho discutindo as relações de Gênero e Sexualidade em uma das disciplinas que leciono. Ao total, são aproximadamente 4 aulas. Na segunda delas, tensionamos os conceitos a partir de um artefato cultural. Nessa aula, dia 22/09, ao fazer a chamada percebi aproximadamente 40% da turma havia faltado, o que me levou a questionar os alunos.
_ Genteeee!!! Cadê o povo? Uai!? Que isso?
_ Ah, professor, acho que foram ao Show do Exaltasamba ver o Tiaguinho.
Supus de imediato que o Tiaguinho deveria ser algum ser importante naquela banda de qualidade musical questionável...
Obviamente, fiquei arrasado! Trocaram minha aula por uma banda de pagode... Apesar disso, relevei, também fiz umas dessas quando estava na graduação e em nenhuma delas foi pra ver coisa que prestasse... Enfim...
Na aula seguinte, tocamos a discussão. Tematizávamos Gênero e Sexualidade nas práticas corporais e esportivas. Obviamente, notei que alguns alunos faziam umas relações equivocadas em função de terem perdido o conteúdo da aula anterior.
Na medida em que isso acontecia retornava aos conceitos é tentava contornar a situação. Mais para o final da aula, já notava que estavam entendendo a proposta... Nesse momento, chamei a atenção para a avaliação agendada para 13/10.
_ Prova professor??!!! Ouvi de um aluno.
_ Na verdade é uma questão avaliativa que vai solicitar de vocês os entendimentos acerca do módulo II da disciplina. Envolve as duas aulas passadas e a de hoje.
_ Mas professor e quem faltou a aula na semana passada?
Quando ouvi essa pergunta. Eu juro por Deus que eu tentei resistir! Mas foi mais forte do que eu.
Olhei para a aluna e, já rindo, disse.
_ Pergunta pro Tiaguinho, ele certamente vai poder te ajudar!
#CARANAPOEIRA#
_ Ai, soooooor!!!! - Exclamou a guria.
_ Ai, soooooor!!!! - Exclamou a guria.
_ Ah, não fulana, tu tá de brincadeira comigo, né? Agora, se tu tiver dúvida, vai lá perguntar pra ele!! Vai lá!! O Ti - a - gui -nho, sabe tudo que vai cair na prova!!
Nesse momento uma sensação agradável toma conta do meu peito e se instaura um sorriso de profunda satisfação!! muuuuaaaaaaahhhhhhhhh [risada malévola]
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